MARIA (sorrindo, quase surpresa) Dez segundos — como se um relâmpago decidisse ficar.
ORQUÍDEA (voz suave, sem corpo visível) Chamas têm pressa; remendos aprendem a esperar.
(Luz quente. Som de ondas ao longe. MARIA segura um vaso pequeno, com uma orquídea cujo pétala tem um remendo — uma mancha branca costurada com linha azul.) 10 segundos a canidelo orquidea patched
MIGUEL Então deixa que Canidelo te reconheça primeiro. Depois, tu reconheces a ti.
MARIA Perder a história. (ela ri) Não. Fico com o remendo. É mapa das viagens. MARIA (sorrindo, quase surpresa) Dez segundos — como
(MIGUEL observa a costura; há um pequeno fio azul perdido entre as fibras da pétala.)
(MARIA toca a pétala uma última vez. Puxa o fio azul entre os dedos e, por um instante, o tecido parece pulsar como pele antiga. Ela solta o fio; ele volta ao lugar.) Som de ondas ao longe
(MIGUEL sorri, com ternura.)
MIGUEL (erguendo o regador) E eu passo cá amanhã. Levo a tesoura só para as ervas daninhas.
ORQUÍDEA Há histórias que só começam quando alguém repara no ponto.
MIGUEL (curvando-se para cheirar) E o que te trouxe de volta foi uma orquídea remendada?